Concurso Público Internacional para o Museu Exploratório de Ciências – UNICAMP, Brasil
Na origem da metáfora está o gesto primordial do Homem - mais tarde do cientista - que, perante a misteriosa e intrigante realidade do cosmos, da natureza, movido pelo apelo e necessidade da sua compreensão, toma dela uma parte na sua mão, mede, pesa, regista e analisa, até à conquista, possível, do conhecimento.
É em parte essa consciência que revela a museologia contemporânea, que assenta no paradigma “hands on“. Ao visitante é proposto manipular engenhos, touchscreens ou simuladores de natureza diversa.
O edifício do Museu Exploratório de Ciências da UNICAMP tem necessariamente um carácter simbólico, sublinhado pela soberba localização na geografia do Campus, que lhe confere uma presença incontornável. A arquitectura aspira também a ser reflexo do carácter exploratório deste Centro Cultural. E, simultaneamente, contexto estimulante – enigmático – que interpelasse as faculdades sensoriais, perceptivas e intelectuais de quem visita o edifício. À semelhança do conteúdo museológico que acolhe, também a arquitectura é matéria de interrogação disponível, composta por códigos decifráveis numa vivência atenta do edifício.
Um “corpo“ de betão de aparência ambígua (natural – artificial?) ergue-se do solo. Separando diferentes blocos, clarabóias “cubistas“ orientadas a sul, captam, modelam e filtram (vidro duplo antelio) a luz em função dos espaços e dos usos. Nos módulos de exposições, rolos de telas (black-out) dotadas de controlo electrónico permitem obter, caso seja necessário, escuridão total.
Uma “paleta“ de materiais curta e tendencialmente neutra, reserva à modelação do espaço e da luz o papel determinante do ambiente interno. Mas, permite também a flexibilidade adequada à inclusão de sistemas expositivos diversificados. Sistemas esses que criem os estímulos, a necessária ilusão ou a atmosfera de descoberta que interessa conferir ao discurso museográfico.
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