ARX

Proposta de Desenho Urbano para a Zona designada como zona nasceste do aterro da Boavista e elaboração do Estudo Preliminar de Arquitectura para a propriedade da EDP integrada nesta zona

Interessa-nos o pressuposto de que a preservação da memória peculiar do Aterro da Boavista se faz a vários níveis, não bastando a sua tradução em aspectos formais, ainda que incorporem “ de forma expressiva “ressonâncias“ de escalas ou tipologias daquilo que em tempos foram os Boqueirões.  

É pois necessário aceitar uma realidade multifilar, onde se cruzam usos, formas, espaços ou tipologias novas, reflexo de um tempo de hoje, e atmosferas, ofícios e matérias que deram forma ao bairro e afirmaram o seu carácter até ao início da sua decadência. Pretendemos assim preservar as marcas necessárias que evidenciem as ditas memórias. É essa a sua principal “matéria“ indutora de valor.  

Propomos seguir estratégias já testadas com sucesso no norte da Europa, ou mesmo em Londres (ex. Docklands), em que o novo tecido urbano “aglutinador“ incorpora diversas peças-chave preexistentes, de relevância tipológica e cultural, eventualmente também mais afectiva que propriamente patrimonial. Mas, falamos de exemplares expressivos que encerram uma beleza e fascínio próprios, carácter insubstituível por matéria de hoje sem que isso signifique de facto perda irreparável, fazer “tabula rasa“ da cultura herdada. 

Num novo tecido urbano que propomos que seja caracterizado à posteriori através de múltiplos e dissonantes contributos de diferentes projectistas, porque a cidade é o projecto colectivo por excelência, funcionam como sinais de outros tempos (referências, pontos “cintilantes“) alguns edifícios mantidos em pontos compatíveis com a nova realidade. São disso exemplo, no terreno da EDP, dois pequenos pavilhões em alvenaria de tijolo maciço (lote sul), um armazém de cobertura sobre estrutura de madeira maciça (lote norte), e uma admirável nave industrial que incorpora o edifício das Companhias Reunidas Gás e Electricidade.

Seguindo essa mesma filosofia, propõe-se que o hotel surja de uma “fusão“ entre o novo e o antigo, tomando forma como extensão do edifício das Companhias Reunidas, dado a sua escala e o facto de ser virado sobre a rua da Boavista, menos vocacionado para uso habitacional, e, com muito acerto adaptável a essas novas funções.

Sobre os usos, propõe-se a possibilidade de uma realidade “mesclada“, mais informal, em alternativa a um modelo rígido e tendencialmente monovalente. Os espaços comerciais são pensados como potencialmente geradores de dinâmica urbana que revitalize o bairro (por isso interessantes enquanto produto imobiliário) mas importantes enquanto factor de manutenção do seu carácter. Seria desejável a inclusão, em pontos possíveis, de unidades de indústria ligeira/artesanal compatíveis com a nova realidade. Os espaços comerciais são configurados de forma a possuir sempre frente para duas ruas ou rua e pátio (ex: esplanadas de restaurantes). As habitações articulam-se de forma a possuirem multiplicidade de enfiamentos visuais somente possível neste local, sobre a rua, o largo-pátio, a encosta e o Tejo.

Sobre a estrutura urbana é evidente na nossa proposta o desejo de reforço e manutenção do carácter dos boqueirões, matriz sobre a qual pretendemos cruzar uma outra que confira uma maior permeabilidade do espaço público “espontâneo“ e fluido, como se tratasse de um “escorrimento“ do tecido “pós-medieval“ da encosta a norte. Fluidez e permeabilidade, através de espaços urbanos de natureza diversa, que oscilem entre o necessariamente racional e rígido, e a hipótese do inesperado e surpreendente, mas que mantenham a possibilidade do espaço intimista, reservado e silencioso, em alternativa ao espaço público mais ruidoso.   Sobranceiro ao Tejo, a nova sede da EDP incorpora também a memória deste bairro através da fusão entre a “ruína“ neo-gótica e a nova arquitectura. Em termos urbanos é pensado como um edifício com desempenho cívico, permeável no espaço público, e conferindo um novo significado à designação “Energias de Portugal“: um edifício exemplar em termos passivos no uso de energias alternativas. Um edifício bioclimático. Esse, será porventura o que o poderá tornar um ícone na cidade.

Ficha Técnica

Morada

Zona Nascente do aterro da Boavista
Portugal

Concurso

2008

Arquitectura

ARX PORTUGAL, Arquitectos Lda.
José Mateus
Nuno Mateus

with A Cidade e as Terras

Colaboradores

Paulo Rocha, Sónia Luz, Gonçalo Azevedo, Sofia Raposo, Bruno Gonçalves, Ricardo Guerreiro, Diogo Santos, Mariana Sá, Nicolas Burckhardt, Afonso Gil

Arquitectura Paisagista

Traços na Paisagem

Fundações e Estruturas

Adão da Fonseca - Engenheiros Consultores

Infraestruturas Eléctricas e Electrónicas

Energia Técnica, Lda.

Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado, Elevadores

Energia Técnica, Lda.


Instalações e Equipamentos de Águas e Esgotos e Rede Incêndios

Energia Técnica, Lda.

Física dos Edifícios e Optimização Energética

CEEETA-ECO, Consultores em Energia, Lda.

Estudo do Comportamento Térmico

Energia Técnica, Lda.

Estudo dos Regulamentos Acústicos

Energia Técnica, Lda.

Segurança Integrada

Energia Técnica, Lda.

Plano de Segurança e Saúde

Germano Rodrigues

Dono de Obra

Câmara Municipal de Lisboa e EDP

Área

60 200 m2