Como Ex-Ticosa – Como, Itália
O projecto localiza-se na cidade de Como, Itália, a sul do Lago de Como e junto ao Cemitério Monumental, na área denominada por Ex-Ticosa. Trata-se de uma antiga área industrial em processo de requalificação urbana, de grande importância pela sua localização numa das principais portas de acesso cidade, Via Napoleana, com ligação a Milão. Os edifícios desenvolvidos são três, inseridos numa operação urbana de grande escala que propõe a integração deste território na cidade – através de um programa plurifuncional, esquematicamente constituído por uma enorme plataforma de cinco pisos de estacionamento enterrado (5.000 lugares) coberto por zonas verdes de acesso público sobre a qual se implantam os edifícios com usos de habitação e comércio, entre outros.Dado a proximidade à cidade histórica, procurou-se que cada edifícios possuisse uma identidade própria, análoga a uma operação urbana de pequena escala feita no tempo por diferentes actores por oposição ao que a escala da intervenção parece sugerir. Assim, dois deles, que se interligam entre si através do embasamento comercial, embora dialoguem formalmente, diferem na sua materialidade construtiva. Um deles é em pedra branca e vidro, mais sóbrio, e o outro em tijolo preto e aço, de revereberação industrial. As fachas viradas a poente e aos jardins, são compostas por terraços revestidos a madeira, e possuem uma pele retráctil em aço galvanizado que garante a adequada protecção à incidência solar no interior, ao mesmo tempo que confere uma qualidade mutante ao edifício. As coberturas são revestidas em zinco e assumem-se como uma casca protectora, com diversas incisões de acesso à luz, que denunciam vida no seu interior.O terceiro edifício limita a sul a operação que remata de uma forma mais icónica. Apresenta-se como um “T” cortado, revelado o miolo do objecto, isto é, de um conjunto de plataformas-terraço que interliga os dois volumes numa empatia tipológica a Terragni na casa Rustici. As suas fachadas são revestidas com painéis de betão, concedendo ao edifício uma solidez que é afirmada na subtracção materica geradora dos vãos. Na cobertura, os jardins e piscinas conformam um espaço de estar onde é ambígua a relação entre interior e exterior, procurando estabelecer uma conexão visual com o Lago, a Spina Verde e o centro histórico.
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