Partimos de um contexto invulgar: um terreno de enorme potencial onde existia uma casa recente que se decidiu demolir. Uma imagem datada e sombria, excessivamente elaborada e mal relacionada com a envolvente, ditaram essa decisão algo radical. De facto, qualquer tentativa de a adaptar ou recuperar seria um exercício inglório de resultado financeiro perverso.
Será uma banalidade referir que o desenho desta casa procura responder de forma clara e precisa às condicionantes e possibilidades que o terreno oferece. Mas é disso mesmo que trata este projecto, como primeira reacção a uma pré-existência equivocada e confusa. E, neste processo, a casa é desenhada numa síntese de gestos simples, quase matemáticos, determinantes da estrutura espacial e formal da casa.
Uma plataforma rectangular é configurada no segmento norte do terreno onde uma clareira no arvoredo abre espaço à luz solar. Sobre esta paira uma segunda plataforma, de dimensão igual mas totalmente ajardinada, configurando-se entre ambas o espaço habitável da casa.
Um conjunto de pilares-lâmina determina o ritmo dos espaços, e, a sua oscilação, reflecte a energia que emana desse mundo interior.
Uma parcela deste sistema é subtraída e sobreposta como um pequeno piso superior de quartos, gerando em baixo um generoso pátio e clarificando o zoning do piso térreo: a nascente situam-se os quartos e a poente as zonas sociais.
Complementar a este discurso veio a desenhar-se um princípio de estratificação de permeabilidade versus clausura. Ou seja, intensidades lumínicas e sistemas de vistas são modelados por planos verticais opacos, semi-transparentes e transparentes respondendo às necessidades de privacidade, desafogo, ou dinâmica social da família que aqui viverá.