TSF 13 Jan 06
Costuma-se dizer  por esta altura do calendário, ANO NOVO, VIDA NOVA. No entanto , há sempre um fado à espreita em cada esquina de Janeiro que se encarrega de nos confirmar que, afinal de contas, tudo se encontra na mesma. 
Este ano nem foi necessário esperar mais do que 3 dias para sermos informados pelo Diário Económico de que PODERÁ COMEÇAR A FUNCIONAR JÁ NO PRÓXIMO ANO, mais um curso de arquitectura. 
Económico, como é aquele diário , referiu-se apenas ao universo de cursos públicos em Lisboa que ascenderá então a 4.
No entanto, se formos menos económicos no nosso olhar, veremos que a nível nacional, entre cursos públicos e privados de arquitectura, já existe uma oferta generosa de aproximadamente 30 que debitam mais de 1000 optimistas recém-licenciados para uma realidade inesperada:  o desemprego.
A realidade do mercado de trabalho em arquitectura é trágica e apenas uma pequena percentagem de licenciados pode aspirar a exercer os actos próprios da sua profissão.
Pensará uma pessoa de bom senso, que, para fundamentar cada decisão de aprovar um novo curso, o Ministério da Ciência, Tecnologia, e do Ensino Superior, dispõe certamente  de um estudo sobre a realidade da profissão, que confirma a necessidade de mais arquitectos para fazer face a uma avalanche de oportunidades de trabalho.   
Mas eu que sou desconfiado, suspeito que eventualmente não há estudo nenhum. E por isso, sugiro à cautela, que o Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior , seja mais económico, que a extensão do seu nome, na aprovação de novos cursos de arquitectura. Ou então, por cada um que aprove, por reconhecida qualidade, decrete o fecho de dois ou três dos que para aí andam, que só servem para iludir uns indefesos candidatos ao desemprego.
Assim, dentro de alguns anos poderíamos orgulhar-nos de dispor, de facto, de uma dúzia de cursos de arquitectura, de grande qualidade, dimensionados para a realidade do nosso mercado de trabalho.
Para terminar , que se faz tarde, não gostava de me despedir sem deixar o comentário realista de um amigo meu que um dia me disse : isto não é bem um Ministério. É mais um MISTÉRIO DO ENSINO SUPERIOR.


(*) Intervenção de José Mateus no programa “Na Ordem do Dia“