Liberdade 195
Descrição
O edifício que constitui o objeto deste projeto encontra-se implantado na confluência de um dos principais eixos estruturantes do tecido da cidade, a Avenida da Liberdade, com a Rua Barata Salgueiro, numa posição central no contexto macro-urbano da cidade de Lisboa.
Neste lote foi originalmente erigido o antigo Palacete do advogado Barata Salgueiro. Inaugurado em 1902 e posteriormente demolido em 1970 para dar lugar ao edifício atualmente existente. Este Palacete era marcado por um embasamento em pedra com elaboradas estereotomias e relevos, fenestração organizada com cantarias detalhadas e um coroamento feito por torreão de esquina com varandas generosas para as vistas envolventes.
Com a entrada no século XX e sobretudo na sua segunda metade, a Avenida viu a sua consistência arquitetónica e urbanística profundamente adulterada. A construção progressiva de edifícios de escritórios de volumetrias significativamente maiores, muitas delas aumentadas pela aglutinação de várias parcelas, como foi o caso deste edifício. É neste contexto que em 1980 foi construído o edifício atualmente existente, concebido para o uso de escritórios e sede do Banco Espírito Santo, função que desempenhou nos últimos 40 anos com uma arquitectura relativamente estabilizada e de algum modo paradigmática da imagem do banco.
Em termos urbanos, o edifício atual afirma de forma contundente a sua presença monolítica na avenida, pese embora o hábito que temos de o ver naquele local. Essa perceção, releva não só por se posicionar num importante lote de esquina, que lhe conflui um estatuto volumétrico singular e de referência, mas também em termos da sua linguagem formal e rítmica, marcada por uma obsessiva grelha de alumínio de desenho peculiar e repetitivo, que se veio a transformar na imagem corporativa do Banco Espírito Santo, agora designado Novo Banco.
É este importante imóvel que se pretende agora reconverter a uma utilização residencial de luxo, função que teve outrora, o que obriga ao repensar do papel da arquitetura no fio condutor da história.
“a história como lugar de oportunidade para a inovação” (Álvaro Siza Vieira)
A estratégia deste projeto assenta na premissa despoletada pela mudança programática do edifício, da sua atual utilização de serviços para uma utilização residencial de altos standards retomando o programa que fundou a Avenida, concretamente o então Bairro Barata Salgueiro, caracterizado pelos seus palacetes residenciais aristocráticos de influências estrangeiras, traduzida agora para uma nova realidade contemporânea.
De modo a mitigar a perceção compacta e de grande densidade do volume original, propõe-se a introdução de uma tipologia compositiva tripartida presente nos palacetes aristocratas da Avenida da Liberdade: embasamento de pedra ao nível térreo, corpo do edifício com fenestração rítmica e nobre, e coroamento com pisos de exceção.
Esta proposta visa oferecer, não apenas à cidade, mas também ao utilizador destes espaços, um espectro de estímulos sensoriais mais sofisticado, dentro de uma lógica de continuidade, de convivência, da construção e da vivência do caráter nobre desta zona da cidade, propiciando uma experiência de escala mais humana.
O logradouro amplo, fresco e arborizado, pretende conferir à intervenção uma atmosfera confortável, rica de contacto com a natureza, com a diversidade das estações e dos aromas, procurando dar continuidade à forte presença dos elementos arbóreos e vegetativos da Avenida da Liberdade e Parque Eduardo VII.
Ficha Técnica
Avenida da Liberdade, Lisboa
29 599,11 m2
ARX Portugal, Arquitectos lda.
Nuno Mateus
José Mateus
Ana Sofia Amador, Cristiana Monteiro, Luísa Martinho, Pedro Joaquim, Renato Santos
Demolições, Fundações e Estruturas
A2P CONSULT
Visualização 3D
18-25 studio
Segurança, Saúde, Resíduos Sólidos Urbanos, Térmica, Acústica, AVAC, Elétrica, Domótica, Telecomunicações, Instalações Eletromecânicas, Águas e Esgotos, Gás Natural
AFACONSULT
Design Gráfico
R2 Design
Smart Building – Facility Management
Bandora + Ecosteel
Arquitectura Paisagista
BALDIOS, Arquitectos Paisagistas








































